sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

DITADURA MILITAR ????

05/03 - DITADURA MILITAR ????
 Por PAULO MARTINS - GAZETA DO PARANA
Está aí uma ditadura pior do que aquela que hoje insistem em apelidar de “ditadura militar”. Como nos dias de hoje, naquele período fui também um crítico. Não lembro de ter sido perseguido, como insistem em afirmar que era o hábito da época aqueles que, por falta de argumento para uma retórica razoável, apelam sem disfarces para o desvirtuado e corrosivo “ouvi dizer”. Que ditadura era aquela que me permitia votar ? Que nunca me proibiu de tomar uma cervejinha num desses bares da vida após as vinte e três horas ? Ou num restaurante de beira de estrada ? Que ditadura era aquela que (eu não fumo) nunca proibiu quem quer que seja de fumar ? Que ditadura era aquela que nunca usou cartão corporativo para as primeiras damas colocarem até botox no rosto ou para outros roubarem milhões de reais do povo brasileiro ?
 Vi, sim, perseguições, porém contra elementos de alta periculosidade à época, como o eram os Zés Dirceus, Zé Genoino, Dilma Rousseof – a Estela – Marco Aurélio Garcia, Diógenes, o assassino do Capitão Schandler, como os que colocaram bombas em lugares públicos, como aquela no aeroporto de Guararapes, cujo resultado foi a morte de gente inocente, ações de subversivos que desejavam implantar no Brasil um regime comunista, e para tal seguiam planos de formar nas selvas o que hoje, na Colômbia, chamam de FARCs. Que ditadura era aquela que permitia que a oposição combatesse o governo, como ocorria com deputados como Ulisses Guimarães, apenas para se citar um nome?
Que ditadura era aquela que jamais sequer pensou em proibir a população de usar armas para se defender, como hoje criminosamente pretendem ?
Que ditadura era aquela que em nome da democracia, jamais admitiu invasão de propriedades e jamais sustentou bandidos com cestas básicas em acampamentos e jamais impediu a policia de agir, como a ditadura de hoje ?
Que ditadura engraçada aquela que chegou a criar até partido de oposição! Curiosa essa democracia de agora, em comparação ao que chamam de “ditadura militar”, “democracia que permite que ladrões do dinheiro público continuem ocupando cadeiras no parlamento e cargos no governo e tolera até mesmo um presidente alegar que “não sabia”, para fugir de sua responsabilidade para com a causa pública. Que ditadura militar era aquela que jamais deu dinheiro de mão beijada para governantes comunistas, amigos de presidente, como ocorre com a ditadura de hoje e, contra a qual não nos permitem sequer contestação ?
Que ditadura era aquela que jamais proibiu a revelação das fuças de bandidos em foto e TV como ocorre na “democracia” de hoje, numa gritante e vergonhosa proteção do meliante, agressor da sociedade ?
Escuta telefônica, eis mais uma ação da “democracia” de hoje e proibida à época “daquela ditadura militar”. Ah...é verdade...Aquela ditadura proibia casamento de homem com homem, sexo explícito na TV alcançando crianças, proibia a pouca vergonha e não dava folga para corruptos que eram cassados quando prevaricavam, sem permitir que a sociedade fosse punida com a permanência no palco da corrupção dos delinqüentes, que hoje fazem CPIs para tapearam a sociedade e se escalam às mesmas como raposas cuidando do galinheiro. Caetano Veloso está quieto em relação a essa ditadura que hoje aí está. Apostasia de “seu ideal”?
À época lançou a música “É proibido proibir”. Hoje se cala. O que ajudou a promover, junto com Chico Buarque, Gilberto Gil e outros, está no poder. Que pelo menos altere o nome da música para os dias de hoje para: “É permitido proibir”. E que vá se catar.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Microondas= Cemitério à VISTA!!!!

A defesa do Palácio Guanabara contra os comunistas em 1964.

A defesa do Palácio Guanabara contra os comunistas em 1964.

imageO FRONT DO GUANABARA – Por Sérgio Pinto Monteiro*
A revolução de 31 de março de 1964 tem sido objeto das atenções de inúmeros historiadores. Suas causas, motivações, desdobramentos, consequências, erros e acertos, são bem conhecidos dos analistas, principalmente os mais isentos, que buscam as verdades daquele período num emaranhado de informações, quase sempre sob forte influência de componentes ideológicos. A chamada esquerda brasileira, derrotada no passado e hoje no poder, mantém a sua estratégia de reescrever a história ao sabor de interesses políticos e eleitoreiros. Cabe-nos, como verdadeiros democratas, repetir à exaustão os fatos históricos que há 48 anos evitaram que o nosso país fosse lançado numa aventura comuno-sindicalista, incompatível com os valores e princípios que forjaram a nacionalidade.
Um dos episódios daquele contexto que merece destaque é o da defesa do Palácio Guanabara - sede do governo estadual - nas quarenta e oito horas que redundaram no afastamento e fuga do Presidente da República.
Naqueles dias conturbados do início de 1964, o recém criado Estado da Guanabara era governado por Carlos Frederico Werneck de Lacerda, opositor ferrenho do governo do Presidente João Belchior Marques Goulart. Orador inflamado, grande administrador, Lacerda era um dos mais importantes líderes da resistência democrática brasileira contra o avanço do totalitarismo de esquerda que ameaçava levar o nosso país para bloco soviético. O relato que se segue é uma tentativa de resumir a história da defesa do Palácio Guanabara contra possíveis ataques desesperados de um governo agonizante. As fontes utilizadas são depoimentos, relatos, entrevistas, documentos e noticiário da imprensa. Ao mesmo tempo, como partícipe do dispositivo militar montado para rechaçar um eventual - mas esperado - ataque à sede do governo estadual, procurei descrever o que a minha memória reteve, tanto tempo já decorrido. O objetivo maior deste texto é a preservação da história de um importante episódio daquele dias, onde se misturam emoções, patriotismo, desprendimento, coragem, solidariedade, lealdade e companheirismo. 
imageO plano de defesa do Palácio Guanabara começou a se delinear no segundo semestre de 1963. O cenário político de então já mostrava, claramente, a disposição do governo federal em retaliar o Estado da Guanabara por sua oposição radical ao sistema dominante. O governador Lacerda, ao lado de importantes lideranças civis e militares, defendia, ostensivamente, a queda do presidente João Goulart. Odiado pela esquerda brasileira, principalmente pelos comunistas, Lacerda - que na sua juventude renegara o marxismo-leninismo - sabia dos riscos a que o seu governo estava exposto numa situação de confronto com o governo de Jango, especialmente se houvesse o envolvimento das Forças Armadas. Valendo-se da antiga amizade desenvolvida com um grupo de Oficiais da Força Aérea Brasileira quando do episódio do atentado que, em 1954, vitimou o Major Aviador Rubens Florentino Vaz, no qual ele próprio foi também atingido, o governador Lacerda nomeou para Secretário de Segurança do Estado o Coronel Aviador Gustavo Eugênio de Oliveira Borges, e incumbiu-o de elaborar um plano de segurança e defesa para a sede do governo estadual, no Palácio Guanabara.

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No documento foram priorizados investimentos em três setores dos organismos policiais do Estado: comunicações (em especial via rádio), transportes (inclusive viaturas do tipo “choque”) e armamento (especialmente metralhadoras). Como resultante do aperfeiçoamento nas comunicações, as “patrulhinhas” da Polícia Militar tiveram ação relevante no acompanhamento da movimentação das forças hostis nos dias 30/31 de março e 1º de abril de 1964. Postadas, sem chamar a atenção, em locais estratégicos, mantiveram o centro de controle abastecido de informações via rádio, em tempo real. Outra relevante providência adotada nessa área foi o estabelecimento de um centro de controle móvel, com três viaturas equipadas e prontas para, rapidamente, se deslocarem com destino a qualquer ponto do Estado. Esse dispositivo de comunicações foi acionado com ótimos resultados, tendo sido fundamental a participação de um elemento civil, um rádio-amador voluntário que teve marcante atuação, assegurando ao governador um canal permanente com Minas Gerais, apesar do bloqueio imposto ao Palácio. 
imageO planejamento da defesa do Palácio Guanabara pretendia atingir três objetivos principais: 
“o aspecto moral e psicológico da manutenção em nosso poder daquilo que simboliza a defesa da democracia na Guanabara; o aspecto concreto da preservação da vida do governador; e finalmente proporcionar os meios para o governador proclamar, via rádio para todo o Brasil, a agressão sofrida, denunciando o golpe comunista e conclamando o restante do país à resistência.”
O PLANO DE DEFESA 
O plano de defesa do Palácio Guanabara, resumidamente, previa cinco linhas de defesa:
1ª linha - cinco batalhões da Polícia Militar, dispostos em arco, desde o Hotel Glória até uma posição ao norte do Palácio. Elementos da polícia civil, descaracterizados, fariam rápidos ataques de inquietação. Esta primeira linha de defesa foi apenas parcialmente acionada.
2ª linha - grupamento formado por militares e civis voluntários, sob o comando do Cel Av João Paulo Burnier, equipados com armas automáticas, anti-tanques, coquetéis molotov e dinamite. Esses elementos, formando pequenos grupos de combate, ficariam dispersos tanto nas vias de acesso ao Palácio como em apartamentos cedidos por moradores, preferencialmente entre o 4º e 6º andar. O posto de comando do Cel Burnier foi instalado na Escola Anne Frank. Esta linha de defesa foi ativada no início da tarde do dia 31. Desse contingente de voluntários fazia parte o ex-combatente da FEB Cel Osnelli Martinelli que comandava o grupo nº 22, cuja missão era proteger as entradas do túnel Catumbi-Laranjeiras.
image3ª linha - formada pelo 2º Batalhão da Polícia Militar (quartel da rua São Clemente) que ficaria entrincheirado em sucessivas linhas de caminhões pesados da frota do Estado (a maioria da COMLURB) posicionados de modo a dificultar o acesso de carros de combate e demais viaturas inimigas. Esta linha entrou em operação na manhã do dia 31.
4ª linha - constituída por voluntários “especiais” com armas anti-tanque mais pesadas. Algumas viaturas (jipes e caminhonetes) foram adaptadas para esse tipo de armamento e certamente se constituiriam num fator de grande surpresa para as forças hostis. Ficariam em reserva e entrariam em ação quando as três linhas anteriores já tivessem retraído e concentrado seus elementos nas quatro vias de acesso à rua Pinheiro Machado. Esses voluntários “especiais”, em sua maioria militares com experiência no manejo daquele armamento, estavam sob o comando direto do Cel Burnier.
image5ª linha - formada pela 1ª Cia Independente da PM, sediada no Palácio, por vários choques da Polícia de Vigilância e reforçada, eventualmente, por elementos remanescentes das linhas anteriores. A resistência final seria na própria sede do governo, prevendo-se a retirada pelo maciço do Sumaré. A tática seria trocar espaço por tempo. Para o governador e outras autoridades estava planejada uma evasão com destino às lanchas do Corpo Marítimo de Salvamento, colocadas em pontos estratégicos da praia. Essa última linha de defesa seriaimagecomandada pelo General (ex-integrante da FEB) Salvador Gonçalves Mandin, Secretário de Serviços Públicos do governo do Estado. 
No plano de defesa do Palácio - cujo dispositivo ficou pronto na segunda-feira, dia 30 de março - foram também incluídos serviços de intendência (com suprimentos diversos), geradores de energia (dois grupos) e serviços médicos. Nas encostas à retaguarda do Palácio (morro Novo Mundo) foram derramados mais de mil litros de óleo diesel com a finalidade de dificultar qualquer tentativa de progressão do inimigo com mais armamento pesado. Também foram acionadas viaturas do Corpo de Bombeiros. O plano previu até mesmo um dispositivo para o enterro dos mortos.
 OS ACONTECIMENTOS 
Dia 31 de março de 1964
04:30 horas - chega ao Palácio Guanabara a notícia de que o comandante da 4ª Região Militar, General Olímpio Mourão Filho e o governador de Minas Gerais, José de Magalhães Pinto, se declararam rebelados, não mais obedecendo ao poder central. Era o desencadeamento da Operação Popeye, planejada de há muito pelo Gen Mourão. Em consequência, estava formado o “Destacamento Tiradentes”, com tropas do Exército e da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais, que marcharia para o Rio de Janeiro sob o comando do General Antonio Carlos da Silva Murici. 
O governador Lacerda está no palácio desde o domingo, dia 29. Na noite anterior assiste até tarde ao filme “O PT-109”, sobre a participação do presidente Kennedy na II Guerra Mundial. Com as notícias vindas de Minas Gerais, o governador é imediatamente acordado pelo seu secretário particular, Hugo Levy, e assume o comando das ações. Chegam informações das Rádio-Patrulhas da PM que tropas da Vila Militar já se deslocam imagepara enfrentar as forças do Grupamento Tiradentes, a caminho do Rio de Janeiro. 
As linhas de defesa do Guanabara entram em alerta. Caminhões pesados do Departamento de Limpeza Urbana, atravessados nas ruas Pinheiro Machado, Paissandu, Ipiranga, Coelho Neto e Farani, formam barricadas que isolam o Guanabara. Voluntários fortemente armados assumem suas posições, inclusive nos terraços de edifícios próximos. Uma metralhadora pesada Hotchkiss é colocada pela PM junto à porta do salão nobre onde se encontra o governador. Há um clima de expectativa e vibração entre os militares e civis que integram o dispositivo. Pouco dias antes, um grupo de marinheiros apoiados por fuzileiros navais comandados pelo Almirante Cândido da Costa Aragão foram protagonistas de um triste episódio de desordem e quebra de hierarquia. Na ocasião, o governador Lacerda fez violentos pronunciamentos em defesa da honra da Marinha e contra as atitudes aqueles militares. Temia-se uma ação violenta do Alte Aragão contra a sede do governo do Estado.

image16:00 horas - uma RP da PM estacionada nas proximidades do então Regimento de Reconhecimento Mecanizado comunica que uma formação de cinco carros de combate M-41 (recém chegados dos Estados Unidos) deixa o quartel no Campinho em alta velocidade. Outras RP assinalam o trajeto dos blindados: Piedade, Méier, Maracanã, Mangue, Ministério da Guerra. Em seguida, novas notícias de sucessivas saídas de mais carros de combate, seguindo o mesmo itinerário. Entretanto, os cinco últimos blindados não estacionam no Ministério. Seguem pela rua Uruguaiana, em direção ao Catete. Pode ser uma investida contra o palácio. O Cel Burnier, entretanto, raciocina diferente: diante do forte dispositivo de proteção montado em torno do Guanabara, com apenas cinco carros de combate e sem tropa de infantaria, certamente não haveria intenção do “inimigo” de atacar a sede do governo estadual. Apesar disso, a 3ª e 4ª linhas de defesa são colocadas em alerta máximo. Os blindados , entretanto, se dirigem ao Palácio das Laranjeiras onde se encontra o presidente Jango e numerosos membros do seu governo. 
image16:10 - aviões da FAB fazem voos rasantes sobre o Guanabara. Apesar do temor de um ataque aéreo, há uma impressão geral de que a FAB não atacaria o Palácio em virtude da presença de inúmeros Oficiais da Aeronáutica entre os seus defensores, inclusive, do Marechal do Ar Eduardo Gomes, lenda viva da Aeronáutica e que em 1984 viria a ser declarado Patrono da Força Aérea Brasileira.
20:00 - o governador Lacerda inicia uma das muitas reuniões do Secretariado. Identifico várias figuras conhecidas: Deputado Abreu Sodré, General Salvador Mandin, Profª Sandra Cavalcante, Radialista Raul Brunini, Rafael de Almeida Magalhães, Deputado Cel Costa Cavalcanti, Deputado Nina Ribeiro, Cel Av Américo Fontenelle, Deputado Cel Danilo Nunes, Coronel PM Edson de Moura Freitas, Coronel Av Gustavo Borges, Coronel Gervásio Deschamps, Sebastião 
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Lacerda (filho do governador), Jornalistas Hélio Fernandes e Sebastião Nery, Deputado Mac Dowell Leite de Castro, entre muitos outros. Ao final da reunião, todos assistem a uma missa na capela de Santa Terezinha, nos jardins do Palácio, celebrada por um capelão.
 22:00 - as RP informam que os fuzileiros navais do Batalhão Riachuelo deixam o quartel da Ilha do Governador. Essa notícia gera inquietação entre nós. Sabíamos que era muito provável um ataque de fuzileiros navais. Decorrido algum tempo, veio a confirmação das RP: quatro caminhões tendo à frente uma viatura de assalto, com fuzileiros fortemente armados, passam pela Cinelândiaimage, tomam a direção da Glória e dirigem-se à rua Farani. Todos nos preparamos para o confronto. O governador Lacerda recebe uma metralhadora INA e, junto com o Gen Mandin, passa em revista os postos de combate, cumprimentando e agradecendo o apoio dos militares e voluntários. No entanto, a movimentação dos fuzileiros era uma ação psicológica que haveria de se repetir outras vezes. O comboio estacionou por algum tempo próximo à rua Farani, para, em seguida, dirigir-se ao Palácio das Laranjeiras.
imageDia 1º de abril de 1964
00:30 - o clima é de muita tensão. As notícias são todas de adesões da área militar ao movimento iniciado em Minas Gerais. Mas uma dúvida ainda nos incomoda: a posição do II Exército, comandado pelo General Amauri Kruel. Suas ligações de amizade com o presidente Jango parecem estar retardando a definição daquela Força, cujo apoio é fundamental para qualquer dos lados. O Deputado Abreu Sodré manifesta confiança no patriotismo do General Kruel e rebate algumas opiniões pessimistas. De repente, o deputado irrompe no gabinete do governador aos gritos: o Kruel já está vindo! Há uma intensa comemoração em todo o Palácio. É a certeza de que a vitória se aproxima.
image01:30 - a tensão aumenta. O Palácio tem a energia cortada. Os grupos geradores instalados no jardim de inverno entram em ação. Aparelhos de ar condicionado são desligados. As linhas telefônicas também deixam de funcionar, permanecendo ativas apenas duas, ligadas secretamente. Ninguém dorme. O Marechal do Ar Eduardo Gomes chega ao Palácio acompanhado de dois sobrinhos. A seu lado, o desembargador Presidente do Tribunal de Justiça e seu filho, portando uma metralhadora. Há um cheiro de pólvora no ar. Um novo informe de uma possível investida de fuzileiros navais movimenta o nosso dispositivo. O governador se preocupa e liga para São Paulo em busca de ajuda. Era apenas mais um deslocamento de forças da Marinha em direção ao Palácio das Laranjeiras. Chove muito. Os bravos militares da PM e da Polícia de Vigilância (P-Vg), estes últimos sob o comando de outro ex-integrante da FEB, o Cel Gervásio Deschamps, permanecem atentos em seus postos, apesar do temporal. Os grupamentos de voluntários cujas posições ficam fora do palácio recebem, a todo o momento, o carinho dos moradores. Capas de chuva, água, refeições e lanches são fornecidos por vizinhos anônimos a centenas de companheiros. Até hoje, decorridos quase 50 anos, ainda me emociono com tais recordações de apoio e solidariedade.
image03:30 - uma notícia que muito nos alegra: numa ação ousada, buscando uma informação mais conclusiva sobre os fuzileiros navais, um policial se apresenta no Ministério da Marinha conduzindo um rabecão do IML supostamente para atender uma solicitação das autoridades navais. A guarda acaba permitindo a entrada daquela viatura inofensiva (e macabra) que após um pequeno giro pelas instalações, constata que o Batalhão Riachuelo repousa tranquilamente nos imensos corredores do Ministério, sem qualquer sinal de movimentação. 
image05:00 - chega ao palácio um novo grupo de voluntários, somando-se aos mais de trezentos militares da reserva já em atividade. São ao todo 31 Oficiais-Generais da reserva já idosos. Sobre esse episódio, mais tarde escreveu o governador Lacerda: 
“se colocaram à minha disposição para qualquer missão. Estavam, em sua maioria, desarmados. Os da Marinha, solicitaram uma lancha para atacar uma ilha pouco defendida, onde sabiam da presença de muito armamento. Todos afirmaram que não poderiam ficar de braços cruzados naquela situação. Vocês não podem imaginar a minha emoção diante da disposição de luta daqueles homens. Confesso que fiquei com os olhos rasos d’água”. 
image08:00 - outro sinal de alerta: os postos avançados da rua Farani detectam a presença de fuzileiros navais nas encostas do morro à retaguarda do Palácio. Fala-se em um possível ataque de morteiros. O governador Lacerda, usando o sistema de som instalado fora do prédio, faz uma vibrante conclamação aos moradores da vizinhança solicitando que se recolham ao interior de suas moradias porque há suspeita de um iminente ataque à sede do governo. Em sua fala, o governador apela aos cariocas para que ajudem a denunciar ao Brasil que o Palácio Guanabara está para ser atacado pelos fuzileiros navais do Alte Aragão, a quem desafia, afirmando: “não te aproximes que eu te mato com meu revólver!” 
Uma nova informação dá uma trégua na expectativa de um confronto iminente: os fuzileiros navais fizeram realmente uma incursão na área, mas retiraram-se em seguida. 
image09:00 - Chega ao palácio o produtor de televisão Flávio Cavalcanti, acompanhado do empresário Abraão Medina. Combinam transmitir pela TV-Rio o áudio de um pronunciamento do governador, o que ocorreu no meio da tarde.
12:30 - vibração geral no Palácio: o Cel César Montagna, ex-febiano, no comando de um grupo de cerca de quarenta Oficiais da ECEME e da ESG, numa ação ousada, toma o Quartel-General da Artilharia de Costa, no Forte de Copacabana.
12:45 - nossos observadores informam que o presidente João Goulart deixa apressadamente o Palácio das Laranjeiras num Volkswagen, ao lado de seu secretário de imprensa, Raul Ryff, seguido pela Mercedes oficial e outros veículos. Uma RP confirma a notícia e segue à distância o comboio até o 
aeroporto Santos Dumont. Na pista, Jango embarca na aeronave da FAB Viscount 2.101. Destino inicial, Brasília. Era o começo da fuga. 
imageO clima no Palácio já começa a ficar festivo. As rádios oficiais - Nacional e MEC - bem como a Mayrink Veiga, antes a serviço do governo, saem do ar. Nos edifícios, chuva de papel picado. O povo começa a lotar as ruas, cantando e pulando de alegria. Buzinaços. Carreatas. Aquele mesmo povo que ajudara a proteger o palácio do seu governador sai às ruas num verdadeiro carnaval. Na euforia da vitória, eu me pergunto com a simplicidade de um jovem Tenente da Reserva de vinte e quatro anos: onde está o povo que Jango tanto cortejou? Porque não foi defender o seu presidente no Laranjeiras? A resposta vem rápida em minha mente: o povo brasileiro jamais aceitará o comunismo, qualquer que seja a sua versão.
image15:25 - as RP informam que os fuzileiros navais estacionados no Largo do Machado, na rua Gago Coutinho e no Parque Guinle, abandonam suas posições. A notícia, divulgada pelos auto-falantes do palácio, é comemorada com intensa emoção. Fogos de artifício e disparos esparsos. Gritos, muitos gritos. Abraços intermináveis, dentro do palácio e nas ruas adjacentes.
15:50 - três carros de combate M-41 do RRecMec se aproximam do Palácio Guanabara. Um de seus comandantes parlamenta com os Coronéis da FAB Paulo Vitor e Estrela, que integram o nosso dispositivo de voluntários nas imediações da sede do governo estadual. Vinham se apresentar ao governador Lacerda para ajudar na proteção do palácio. Abrem-se, então, as barricadas que defendiam a democracia. A vibração atinge o seu clímax. O povo cerca os blindados e, aos gritos, acompanha as viaturas, perigosamente, até os portões do Guanabara. Entre nós, as lágrimas são incontroláveis. O governador Lacerda rapidamente vem receber os militares. E chora, emocionado, quando percebe que os comandantes dos carros eram os filhos de seu velho amigo, General Alcides Gonçalves Etchegoyen. Nesse momento, juntos, abraçados, irmanados, todos cantamos o Hino Nacional Brasileiro. 
imageEm 2 de abril de 1964, a população do Rio de Janeiro saiu às ruas na maior manifestação pública até então realizada pelos cariocas. Um milhão de pessoas comemoraram a vitória da democracia na “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”, que ficou conhecida como “A Marcha da Vitória”. 
Meio século depois, para nós, voluntários do Front do Guanabara, ficou uma saudosa e emocionante lembrança. E, mesmo hoje, as lágrimas ainda são inevitáveis. Creio que os quase quinhentos voluntários que participaram da epopéia do Palácio, não o fizeram para defender o governador Lacerda. A democracia era o nosso bem maior, que precisava ser preservada. E a liberdade do povo brasileiro, uma motivação insuperável.
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 *o autor é professor, historiador e Oficial do Exército, da Reserva Não Remunerada. É presidente do Conselho Nacional de Oficiais R/2, membro da Diretoria da Associação Nacional dos Veteranos da FEB, da Academia de História Militar Terrestre do Brasil e do Instituto Campo-grandense de Cultura.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

PF prende senador Delcídio Amaral e banqueiro André Esteves em desdobramento da Lava Jato

PF prende senador Delcídio Amaral e banqueiro André Esteves em desdobramento da Lava Jato

Sérgio Lima -07.05.2013/Folhapress
STF autoriza prisão de senador Delcídio do Amaral
STF autoriza prisão de senador Delcídio do Amaral
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O senador Delcídio Amaral (PT-MS), líder do governo na Casa, foi preso na manhã desta quarta-feira (25) pela Polícia Federal. A operação foi autorizada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) depois que o Ministério Público Federal apresentou evidências de que ele tentava conturbar as investigações da Operação Lava Jato.
Também foi preso o banqueiro André Esteves, do BTG Pactual, que estaria envolvido nas irregularidades, e o advogado Edson Ribeiro, que atuou para o ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró.
O STF também autorizou a prisão do chefe de gabinete do senador e buscas na casa do petista em Mato Grosso do Sul.
Delcídio havia sido citado por Cerveró, que o acusou de participar de um esquema de desvio de recursos envolvendo a compra da refinaria de Pasadena, nos EUA.
O senador teria até mesmo oferecido possibilidade de fuga a Cerveró em troca de ele não aderir ao acordo de colaboração com a Justiça, revelando as irregularidades da operação. A conversa foi gravada por um filho de Cerveró.
É a primeira vez que um senador é preso no exercício do cargo, já que a Constituição Federal só permite a prisão de parlamentar em crime flagrante. Nesse tipo de ação, de obstrução de investigação, a conduta é considerada crime permanente. É um dos poucos motivos que leva a corte a aceitar prisão preventiva de réu ainda sem julgamento.
O Senado deve ter que confirmar a prisão de Delcídio. A Constituição estabelece que em casos de prisão em flagrante "os autos serão remetidos dentro de 24 horas à Casa respectiva, para que, pelo voto da maioria de seus membros, resolva sobre a prisão".
COSTA
O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa apontou, em depoimento prestado em acordo de delação premiada, que Delcídio indicou a diretoria internacional da Petrobras. Segundo Costa, apesar de ser do PT, "ele também prestava contas ao PMDB".
O senador foi diretor de gás e energia da Petrobras entre 1999 e 2001, no segundo mandato do presidente Fernando Henrique Cardoso –ele foi indicado ao cargo na petroleira pelo então senador Jader Barbalho (PMDB-PA). Nesse período, Cerveró foi seu principal assessor. Costa também trabalhou na Petrobras com o senador: era gerente de logística.
Em março, quando o ministro Teori Zavascki, relator dos processos relativos à Operação Lava Jato, divulgou a lista com os políticos investigados pela Lava Jato, ele havia acatado o pedido de Janot de arquivamento de investigação contra Delcídio.
JANOT
A decisão de Teori atende a pedido do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. O ministro pediu que fosse convocada para a manhã desta quarta a realização de uma sessão extra da segunda turma do tribunal, que é responsável pelos casos que envolvem o esquema de corrupção da Petrobras. No encontro, ele deve discutir as prisões.
Neste terça, o ministro chegou a telefonar para o presidente do STF, Ricardo Lewandowski, comunicando sobre a reunião extraordinária e também se reuniu com colegas da segunda turma de forma reservada. A ideia é dividir o peso da reunião de prender um senador, que só poderia ser preso em flagrante. Um dos argumentos para a prisão seria que a obstrução das investigações e integrar uma organização criminosa torna o crime permanente e flagrante facilitado.
Colaboraram Márcio FalcãoAguirre Talento e Bela Megale.
Zanone Fraissat - 19.ago.2013/Folhapress
André Esteves, presidente do banco BTG Pactual, preso pela PF
André Esteves, presidente do banco BTG Pactual, preso pela PF

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/colunas/monicabergamo/2015/11/1710732-pf-prende-senador-delcido-amaral-para-nao-atrapalhar-investigacoes-da-lava-jato.shtml

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